Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
(Clarice Lispector )
(ja que o barba negra abandonou o navio, ao menos temporariamente.eu posto).
terça-feira, 5 de maio de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Rima rica/Frase feita
Nei Lisboa
Desculpe, meu bem
Se ontem te fiz chorar
Mas a vida é assim mesmo
Não se pode exigir
Pouco dá pra esperar
Muito obrigado por tudo
Pelo teu suor, pelos teus gemidos
E espero que a minha estupidez
Cicatrize teus sentimentos feridos
Nasci e morro assim, só
Perdido no escuro, dentro de mim
E vou cruzando o barro
Vou comendo pó
Até que chegue o fim
Mas a força eu retiro
Sugo feito vampiro
De saber que as estrelas
Também vivem sós
De um cigarro amassado
De uma rua deserta
De outros que até eu posso sentir dó
Da menina de olhos grandes como a lua
De uma noite sentindo tua carne crua
E dos bares, das festas
Dos vinhos, serestas
Das mentes infestas de podres horrores
De mil desamores
Do chope das quatro
Desse louco mundo putrefato
Dessa grande peça de teatro
Nei Lisboa
Desculpe, meu bem
Se ontem te fiz chorar
Mas a vida é assim mesmo
Não se pode exigir
Pouco dá pra esperar
Muito obrigado por tudo
Pelo teu suor, pelos teus gemidos
E espero que a minha estupidez
Cicatrize teus sentimentos feridos
Nasci e morro assim, só
Perdido no escuro, dentro de mim
E vou cruzando o barro
Vou comendo pó
Até que chegue o fim
Mas a força eu retiro
Sugo feito vampiro
De saber que as estrelas
Também vivem sós
De um cigarro amassado
De uma rua deserta
De outros que até eu posso sentir dó
Da menina de olhos grandes como a lua
De uma noite sentindo tua carne crua
E dos bares, das festas
Dos vinhos, serestas
Das mentes infestas de podres horrores
De mil desamores
Do chope das quatro
Desse louco mundo putrefato
Dessa grande peça de teatro
quinta-feira, 16 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Acaba de se divorciar: “ Aqui a vida corre como se fosse um corredor. Pouca coisa de interesse de um lado e de outro, pelo menos de interesse para mim, que vou perdendo o interesse a medida que os anos passam. Não sei se estou muito puto com o exterior ou se simplesmente não me importa mais. Não escrevo e não sei o que vai ser da minha vida nos próximos ...” Ah, caralho.”
( In: O insaciável homem-aranha)
pedro juan gutierrez
( In: O insaciável homem-aranha)
pedro juan gutierrez
segunda-feira, 6 de abril de 2009
terça-feira, 31 de março de 2009
Salamaleque
Você que reclama da vida
Mas que não se intimida
Quando vai trabalhar
Você que não perde o sorriso
Mas não sabe o motivo
E nem quer suspeitar
Mulher
Tá virando cachaça
E eu até acho graça
Precisa se recuperar
Larga essa vida
Chuta esse balde
Joga esse prato no chão
Vira esse copo na dividida
Segue comendo com a mão
Então
Outra vez resolvido o eterno marido
Nunca perde a razão
Pois é, a favor da vontade
Não existe verdade
Quando a gente não quer
Que bom que esse peso nas costas
Que a gente não gosta
Já mora em outro lugar
Graças ao vento
Novos momentos
Ninguém ficou sem razão
Tanto pileque,
Salamaleque
Tudo que não foi em vão
Orquestra Imperial
Mas que não se intimida
Quando vai trabalhar
Você que não perde o sorriso
Mas não sabe o motivo
E nem quer suspeitar
Mulher
Tá virando cachaça
E eu até acho graça
Precisa se recuperar
Larga essa vida
Chuta esse balde
Joga esse prato no chão
Vira esse copo na dividida
Segue comendo com a mão
Então
Outra vez resolvido o eterno marido
Nunca perde a razão
Pois é, a favor da vontade
Não existe verdade
Quando a gente não quer
Que bom que esse peso nas costas
Que a gente não gosta
Já mora em outro lugar
Graças ao vento
Novos momentos
Ninguém ficou sem razão
Tanto pileque,
Salamaleque
Tudo que não foi em vão
Orquestra Imperial
sexta-feira, 27 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Papel Machê
João Bosco
Composição: João Bosco/Capinam
Cores do mar, festa do sol
Vida é fazer
Todo o sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de Papel Machê...(2x)
Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azulOutro ser
Luz do querer...
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de Papel Machê...Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul
Outro ser
Luz do querer...
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de Papel Machê...
-é linda.ando descobrindo novos e definitivos efeitos.vale a pena registrar- SIM!
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