segunda-feira, 31 de maio de 2010

A função da arte

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!

Eduardo Galeano

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) -
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
dependimentos demais
e tarefas muitas -
os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
que as moscas iriam iluminar
o silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
que as moscas n]ao davam conta de iluminar o
silêncio das coisas anônimas -
passaram essa tarefa para os poetas.

Manoel de Barros

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Os cartões, os filmes, a música pop... são os culpados por todas as mentiras e o sofrimento. As pessoas deviam poder dizer como realmente se sentem, e não palavras que alguns desconhecidos colocam na boca delas."

Frase recortada do filme "500 dias com ela".
· "Infelicidade é questão de prefixo."