ouvidos acostumados a distinguir à distância o rumor das coisas que se aproximavam percebem sob o tropel confuso das massas cuja sombra começa a dominar o horizonte da nossa cultura os passos do homem de destino não há a estas horas país que não esteja à procura de um homem isto é de um homem carismático ou marcado pelo destino para dar às aspirações das massas uma expressão simbólica imprimindo a unidade de uma vontade dura e poderosa ao caos de angústia e de medo de que se compõe o patos ou a demonia das representações coletivas não há hoje um povo que não clame por um César
Francisco Alvim
sábado, 19 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxuria convém.
Manoel de Barros
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxuria convém.
Manoel de Barros
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
salva de palmas, eu nem esperava.
só desgraça, só desgraça.
é a ordem que importa.
em que lugar você está? você vai vencer.
levantar ou estacionar. vacilo teu.
resolve aí, ou toca aqui.
saber, se ver, se colocar no lugar.
admitir, telefonar ou só escrever?
não digerir direito, ter que dirigir, ou suportar, pagar sem ver.
preguiça de cinema, prefere tv. tá em vhs, só tem dvd.
calcular, recontar, meio-brigar, ficar sem ver, ficar sem falar.
cumprimentar, dar oi, fingir não enxergar ou invesgar,
atender o celular. pra sair fora é só acenar.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
soco na cara, eu sempre aguentava.
é só trapaça, só trapaça.
é a volta que me importa.
que parada que tá? onde tu vai descer?
tem que aprender, tem que agüentar.
aceita aqui não é tão ruim assim.
saber que ver não é só enxergar.
resistir, se adequar, saber receber.
não recordar direito, ter que fingir, e aguentar contar nos dedos.
revista, esquema, ou prefere me ver?
mandar um sedex ou esperar receber?
recear, recortar, meio-brigar.
ficar sem você. ficar a se deter, sem olhar.
ALBERTINHO DOS REYS.
só desgraça, só desgraça.
é a ordem que importa.
em que lugar você está? você vai vencer.
levantar ou estacionar. vacilo teu.
resolve aí, ou toca aqui.
saber, se ver, se colocar no lugar.
admitir, telefonar ou só escrever?
não digerir direito, ter que dirigir, ou suportar, pagar sem ver.
preguiça de cinema, prefere tv. tá em vhs, só tem dvd.
calcular, recontar, meio-brigar, ficar sem ver, ficar sem falar.
cumprimentar, dar oi, fingir não enxergar ou invesgar,
atender o celular. pra sair fora é só acenar.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
soco na cara, eu sempre aguentava.
é só trapaça, só trapaça.
é a volta que me importa.
que parada que tá? onde tu vai descer?
tem que aprender, tem que agüentar.
aceita aqui não é tão ruim assim.
saber que ver não é só enxergar.
resistir, se adequar, saber receber.
não recordar direito, ter que fingir, e aguentar contar nos dedos.
revista, esquema, ou prefere me ver?
mandar um sedex ou esperar receber?
recear, recortar, meio-brigar.
ficar sem você. ficar a se deter, sem olhar.
ALBERTINHO DOS REYS.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Aqui hoje
Já somos o esquecimento que seremos.
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.
Não sou o insensato que se aferra
ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.
Jorge Luis Borges
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.
Não sou o insensato que se aferra
ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.
Jorge Luis Borges
terça-feira, 5 de maio de 2009
Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
(Clarice Lispector )
(ja que o barba negra abandonou o navio, ao menos temporariamente.eu posto).
(Clarice Lispector )
(ja que o barba negra abandonou o navio, ao menos temporariamente.eu posto).
quinta-feira, 23 de abril de 2009
POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Rima rica/Frase feita
Nei Lisboa
Desculpe, meu bem
Se ontem te fiz chorar
Mas a vida é assim mesmo
Não se pode exigir
Pouco dá pra esperar
Muito obrigado por tudo
Pelo teu suor, pelos teus gemidos
E espero que a minha estupidez
Cicatrize teus sentimentos feridos
Nasci e morro assim, só
Perdido no escuro, dentro de mim
E vou cruzando o barro
Vou comendo pó
Até que chegue o fim
Mas a força eu retiro
Sugo feito vampiro
De saber que as estrelas
Também vivem sós
De um cigarro amassado
De uma rua deserta
De outros que até eu posso sentir dó
Da menina de olhos grandes como a lua
De uma noite sentindo tua carne crua
E dos bares, das festas
Dos vinhos, serestas
Das mentes infestas de podres horrores
De mil desamores
Do chope das quatro
Desse louco mundo putrefato
Dessa grande peça de teatro
Nei Lisboa
Desculpe, meu bem
Se ontem te fiz chorar
Mas a vida é assim mesmo
Não se pode exigir
Pouco dá pra esperar
Muito obrigado por tudo
Pelo teu suor, pelos teus gemidos
E espero que a minha estupidez
Cicatrize teus sentimentos feridos
Nasci e morro assim, só
Perdido no escuro, dentro de mim
E vou cruzando o barro
Vou comendo pó
Até que chegue o fim
Mas a força eu retiro
Sugo feito vampiro
De saber que as estrelas
Também vivem sós
De um cigarro amassado
De uma rua deserta
De outros que até eu posso sentir dó
Da menina de olhos grandes como a lua
De uma noite sentindo tua carne crua
E dos bares, das festas
Dos vinhos, serestas
Das mentes infestas de podres horrores
De mil desamores
Do chope das quatro
Desse louco mundo putrefato
Dessa grande peça de teatro
quinta-feira, 16 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Acaba de se divorciar: “ Aqui a vida corre como se fosse um corredor. Pouca coisa de interesse de um lado e de outro, pelo menos de interesse para mim, que vou perdendo o interesse a medida que os anos passam. Não sei se estou muito puto com o exterior ou se simplesmente não me importa mais. Não escrevo e não sei o que vai ser da minha vida nos próximos ...” Ah, caralho.”
( In: O insaciável homem-aranha)
pedro juan gutierrez
( In: O insaciável homem-aranha)
pedro juan gutierrez
segunda-feira, 6 de abril de 2009
terça-feira, 31 de março de 2009
Salamaleque
Você que reclama da vida
Mas que não se intimida
Quando vai trabalhar
Você que não perde o sorriso
Mas não sabe o motivo
E nem quer suspeitar
Mulher
Tá virando cachaça
E eu até acho graça
Precisa se recuperar
Larga essa vida
Chuta esse balde
Joga esse prato no chão
Vira esse copo na dividida
Segue comendo com a mão
Então
Outra vez resolvido o eterno marido
Nunca perde a razão
Pois é, a favor da vontade
Não existe verdade
Quando a gente não quer
Que bom que esse peso nas costas
Que a gente não gosta
Já mora em outro lugar
Graças ao vento
Novos momentos
Ninguém ficou sem razão
Tanto pileque,
Salamaleque
Tudo que não foi em vão
Orquestra Imperial
Mas que não se intimida
Quando vai trabalhar
Você que não perde o sorriso
Mas não sabe o motivo
E nem quer suspeitar
Mulher
Tá virando cachaça
E eu até acho graça
Precisa se recuperar
Larga essa vida
Chuta esse balde
Joga esse prato no chão
Vira esse copo na dividida
Segue comendo com a mão
Então
Outra vez resolvido o eterno marido
Nunca perde a razão
Pois é, a favor da vontade
Não existe verdade
Quando a gente não quer
Que bom que esse peso nas costas
Que a gente não gosta
Já mora em outro lugar
Graças ao vento
Novos momentos
Ninguém ficou sem razão
Tanto pileque,
Salamaleque
Tudo que não foi em vão
Orquestra Imperial
sexta-feira, 27 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Papel Machê
João Bosco
Composição: João Bosco/Capinam
Cores do mar, festa do sol
Vida é fazer
Todo o sonho brilhar
Ser feliz
No teu colo dormir
E depois acordar
Sendo o seu colorido
Brinquedo de Papel Machê...(2x)
Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azulOutro ser
Luz do querer...
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de Papel Machê...Dormir no teu colo
É tornar a nascer
Violeta e azul
Outro ser
Luz do querer...
Não vai desbotar
Lilás cor do mar
Seda cor de batom
Arco-íris crepom
Nada vai desbotar
Brinquedo de Papel Machê...
-é linda.ando descobrindo novos e definitivos efeitos.vale a pena registrar- SIM!
sábado, 10 de janeiro de 2009
Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Caio Fernando Abreu in O Inventário do Ir-remediável
desculpa a pessoalidade. mas é nosso.
Te amo.
só o tempo vai dizer se foi melhor ou nao...
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Assim Será
Assim que quer, assim será
Eu vou pra não voltar
Toma este anel que é pra anular
O céu, o sol e o mar
Eu não queria ir assim
Tão triste, triste...
Vem dizer adeus ao que restou de quem um dia foi feliz
Há de encontrar um encantador
Um novo ou velho amor
Vai te levar leve a vagar
Prum lar de fina-flor
E você vai ser mais feliz
Longe de mim...
Por isso
Eu vou mas não me peça pra amar outra mulher que não você
Vou mas não me peça pra amar outra mulher que não...
Sei que seu fel, fenecerá
Em nome de nós dois
A chuva do céu, se encerrará
Pra ver nosso depois
Como vai ser ruim demais
Olhar o tempo, ir sem
Ver os seus abraços, seus sorrisos ou suas rimas de amor
Los Hermanos
Eu vou pra não voltar
Toma este anel que é pra anular
O céu, o sol e o mar
Eu não queria ir assim
Tão triste, triste...
Vem dizer adeus ao que restou de quem um dia foi feliz
Há de encontrar um encantador
Um novo ou velho amor
Vai te levar leve a vagar
Prum lar de fina-flor
E você vai ser mais feliz
Longe de mim...
Por isso
Eu vou mas não me peça pra amar outra mulher que não você
Vou mas não me peça pra amar outra mulher que não...
Sei que seu fel, fenecerá
Em nome de nós dois
A chuva do céu, se encerrará
Pra ver nosso depois
Como vai ser ruim demais
Olhar o tempo, ir sem
Ver os seus abraços, seus sorrisos ou suas rimas de amor
Los Hermanos
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