Quisera, meu amor, te abrir
Pra curar seu coração
Te cortar pra filtrar o seu sangue azedo
A flor vai dobrar o seu punhal
Despedaçar na sua mão
O espinho desaguou
A flor vai dobrar o seu punhal
Pudera, meu amor, te invadir
Consertar seu coração
Te apertar, te espremer pra expelir seu medo
A flor vai dobrar o seu punhal
Despedaçar na sua mão
O espinho desaguou
A flor vai dobrar o seu punhal
Momo
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
a vida do marcello - Menos
Eu sei
Eu sei que não era pra eu ser assim
que eu devia tomar as doses nas horas certas
Eu sei que eu devia dormir boas noites de sono
e que eu devia fumar menos
escovar os dentes com pastas pra gengivas sensíveis
e perambular menos na rua quando todo mundo já foi
e não me jogar tanto quando alguém me abre os braços
e beber menos
e amar menos
eu devia parar
e pensar menos
eu sei que eu devia pensar menos
e falar menos
eu sei que eu devia falar menos
pra viver mais
eu sei que eu devia viver menos
mas eu não sei viver menos
Porcas Borboletas
Eu sei que não era pra eu ser assim
que eu devia tomar as doses nas horas certas
Eu sei que eu devia dormir boas noites de sono
e que eu devia fumar menos
escovar os dentes com pastas pra gengivas sensíveis
e perambular menos na rua quando todo mundo já foi
e não me jogar tanto quando alguém me abre os braços
e beber menos
e amar menos
eu devia parar
e pensar menos
eu sei que eu devia pensar menos
e falar menos
eu sei que eu devia falar menos
pra viver mais
eu sei que eu devia viver menos
mas eu não sei viver menos
Porcas Borboletas
sábado, 19 de dezembro de 2009
Você se lembra de anteontem?
ouvidos acostumados a distinguir à distância o rumor das coisas que se aproximavam percebem sob o tropel confuso das massas cuja sombra começa a dominar o horizonte da nossa cultura os passos do homem de destino não há a estas horas país que não esteja à procura de um homem isto é de um homem carismático ou marcado pelo destino para dar às aspirações das massas uma expressão simbólica imprimindo a unidade de uma vontade dura e poderosa ao caos de angústia e de medo de que se compõe o patos ou a demonia das representações coletivas não há hoje um povo que não clame por um César
Francisco Alvim
Francisco Alvim
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxuria convém.
Manoel de Barros
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxuria convém.
Manoel de Barros
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
salva de palmas, eu nem esperava.
só desgraça, só desgraça.
é a ordem que importa.
em que lugar você está? você vai vencer.
levantar ou estacionar. vacilo teu.
resolve aí, ou toca aqui.
saber, se ver, se colocar no lugar.
admitir, telefonar ou só escrever?
não digerir direito, ter que dirigir, ou suportar, pagar sem ver.
preguiça de cinema, prefere tv. tá em vhs, só tem dvd.
calcular, recontar, meio-brigar, ficar sem ver, ficar sem falar.
cumprimentar, dar oi, fingir não enxergar ou invesgar,
atender o celular. pra sair fora é só acenar.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
soco na cara, eu sempre aguentava.
é só trapaça, só trapaça.
é a volta que me importa.
que parada que tá? onde tu vai descer?
tem que aprender, tem que agüentar.
aceita aqui não é tão ruim assim.
saber que ver não é só enxergar.
resistir, se adequar, saber receber.
não recordar direito, ter que fingir, e aguentar contar nos dedos.
revista, esquema, ou prefere me ver?
mandar um sedex ou esperar receber?
recear, recortar, meio-brigar.
ficar sem você. ficar a se deter, sem olhar.
ALBERTINHO DOS REYS.
só desgraça, só desgraça.
é a ordem que importa.
em que lugar você está? você vai vencer.
levantar ou estacionar. vacilo teu.
resolve aí, ou toca aqui.
saber, se ver, se colocar no lugar.
admitir, telefonar ou só escrever?
não digerir direito, ter que dirigir, ou suportar, pagar sem ver.
preguiça de cinema, prefere tv. tá em vhs, só tem dvd.
calcular, recontar, meio-brigar, ficar sem ver, ficar sem falar.
cumprimentar, dar oi, fingir não enxergar ou invesgar,
atender o celular. pra sair fora é só acenar.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
mas mesmo assim prefiro pensar no melhor.
não sei se faz tão bem assim pra mim.
por mais que a gente esqueça uma hora se lembra.
soco na cara, eu sempre aguentava.
é só trapaça, só trapaça.
é a volta que me importa.
que parada que tá? onde tu vai descer?
tem que aprender, tem que agüentar.
aceita aqui não é tão ruim assim.
saber que ver não é só enxergar.
resistir, se adequar, saber receber.
não recordar direito, ter que fingir, e aguentar contar nos dedos.
revista, esquema, ou prefere me ver?
mandar um sedex ou esperar receber?
recear, recortar, meio-brigar.
ficar sem você. ficar a se deter, sem olhar.
ALBERTINHO DOS REYS.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Aqui hoje
Já somos o esquecimento que seremos.
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.
Não sou o insensato que se aferra
ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.
Jorge Luis Borges
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.
Não sou o insensato que se aferra
ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.
Jorge Luis Borges
terça-feira, 5 de maio de 2009
Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
(Clarice Lispector )
(ja que o barba negra abandonou o navio, ao menos temporariamente.eu posto).
(Clarice Lispector )
(ja que o barba negra abandonou o navio, ao menos temporariamente.eu posto).
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